Uma escritora que gosto muito em certo momento passou a mensagem de que uma paixão é como pilhas e o coração como a bateria.
Refleti durante um tempo sobre isto mesmo e confesso que lhe dou toda a razão. As pilhas têm imensa carga inicialmente, vão-se desvanecendo e a certa altura terminam e não há grande volta a dar. Já o coração é como uma bateria porque esta precisa que alguém o recupere e lhe dê novamente carga e força quando se torna mais fraco.
Parece uma ideia parva numa tentativa de explicar a diferença entre uma paixão e um amor, mas a verdade e, como já começa a ser costume, pensei em nós e confesso que me assustei ao deparar-me com o que te acabei de descrever. Assustei-me claramente por receio de que não passemos de pilhas e que não tenhamos a capacidade de recarregar a bateria um do outro. Pensei um pouco mais e percebi que faria de tudo para te recarregar a bateria sempre que ela ficasse mais fraca e espero que o faças comigo também. Mas amor, há ainda outra opção e a meu ver é das melhores, senão a melhor. Deixa-me explicar-te: uma paixão é bastante forte e intensa, louca até; um amor é talvez calmo, sereno e cómodo; com isto pensei: não quero que sejas somente uma pilha minha e não quero que sejas somente uma bateria, espero que sejas hoje, amanhã e daqui a muitos anos, a pilha recarregável que nunca tive e que me ames misturando tudo desde loucura a serenidade.
Pareço louca falando assim, escrevendo assim, transmitindo-te isto, mas quem mais seria perfeito para aturar as minhas loucura senão tu?
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