quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Partiste

Tive saudades nossas, vi-te agarrado a um comando e tive saudades nossas. Saudades de quando me agarravas de forma simples e determinada. Saudades de me tocares com os teus dedos meio direitos meio tortos, meio ásperos meio macios, meio meus meio teus. Há tanto tempo que não me tocas e eu ainda te sinto. Irónico. Sinto-te mas não estás presente.
Lembro-me do que dizias quando me tocavas na mão e brincavas com os meus dedos, lembro-me de te abraçares a mim e sussurrares pequenas palavras que me faziam a pessoa mais feliz de todas. Lembro-me de me olhares atentamente calado e sorrires. Olhar esse que por vezes me inquietava. Cheguei a dizer-te que daria tudo para saber o que pensavas quando me olhavas com ternura e respondeste-me "Não te preocupes, é bom sinal.". Nunca soube o que isso quis dizer, tirei diversas conclusões que hoje nenhuma delas faz sentido. Observavas-me tantas vezes! Ainda hoje te sinto a fazê-lo e já não te vejo há tanto tempo. 
Roubaste-me. Sim, roubaste-me. Toda a minha atenção. Tiraste-ma como se a quisesses para sempre. E agora? Não a queres mais e ela continua a ser tua. Assim como eu, toda eu continuo a ser tua e tu nem noção disso tens. Talvez nisso a culpa seja minha. Talvez toda aquela insegurança que sempre tive não me tenha permitido demonstrar tudo o que sentia, com a intensidade que sentia. Amava-te de corpo e alma. 
Relembro a melodia da tua voz em todas aquelas promessas que fazíamos, éramos loucos. Loucos de cabeça. Loucos de amor. Ou talvez simplesmente loucos. Loucos que faziam promessas impossíveis de concretizar. Tu prometias que seria desta vez, que nada iria mudar, que finalmente seriamos nós. Eu prometia que não te aceitava mais. Mas não te deixava. Não te deixei. Tu não cumpriste e eu não cumpri. Nunca chegámos a ser nós, sempre fomos eu e tu. E eu? Eu ainda te aceitaria se voltasses hoje. Ou amanhã. Tenho a certeza que te aceitaria se voltasses amanhã. 
Irónico, todas aquelas discussões que me fragilizavam e me deitavam abaixo.. Até delas sinto falta. Tenho saudades das discussões constantes. Discutíamos por tudo e por nada. Discussões essas que terminavam com respirações ofegantes. Abraços inesperados e beijos necessitados. Frases de súplica para que ficasses, para que ficasse. "Não vou a lado nenhum". Foste. Foste e eu fiquei. Fiquei aqui, a amar-te e a querer-te. E Meu Deus, amo-te tanto. 

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