quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Casa

Hoje vi-te, de cabeça mas vi-te.
Vi-te noutra pessoa, com outra idade, com outra roupa, com outro rosto. Vi-te num homem mais velho sentado num banco de jardim enquanto sorria para o menino ao seu lado. Assumi que fosse o seu filho, as parecenças eram nítidas. Imaginei-te um pouco mais velho e não te imaginava de maneira alguma diferente do desconhecido que se encontrava à minha frente. Reconheci-te, não pela figura mas pelo seu perfume. Perfume esse que nunca tinha encontrado igual, excepto em ti. Perfume esse que demorei segundos a lembrá-lo. Era inevitável, era impossível não reconhecer o perfume que tento constantemente encontrar. Aquele perfume que sempre me acalmou, me confortou. Aquele perfume a que eu dera o nome de casa. Talvez não tenha sido ao perfume, talvez o perfume seja apenas um quarto. Talvez o perfume juntamente com a tua voz, seja uma suíte. Talvez o teu corpo, os teus braços, as tuas mãos, o teu peito... sejam o resto das divisões. E talvez a tua boca e os teus olhos sejam o jardim onde sempre gostei de me perder. Isso sim, tudo junto, talvez seja aquilo a que eu chamara de casa. 



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