Gostava de poder dizer que te amo e o quanto o faço. Não posso. Não o permites. Gostava de saber o que sentes por mim. Será o quê? Raiva? Desilusão? Falta não te faço, sei que não mas digo-te com toda a sinceridade, eu sinto a tua.
Eu tenho saudades. Saudades tuas, saudades das tuas mãos, do teu sorriso, das tuas gargalhadas. Sinto falta dos olhares que trocávamos como se conversassem entre eles, falta do som da tua voz no meu ouvido. Sinto falta dos teus lábios no meu pescoço, das tuas mãos nas minhas, das tuas mãos no meu corpo, na minha cabeça, nos meus cabelos. Sei que significava demasiado para mim e muito pouco para ti. Todos os gestos que eu sobrevalorizava, a ti diziam-te pouco.
Sinto falta do teu cheiro sabes? Depois de todo este tempo eu ainda sinto o teu cheiro na minha roupa, o teu corpo junto ao meu. Depois de tudo eu ainda visto a tua camisola apenas por conforto, consolo. Não devia, sei que não. Mas já não te tenho a ti para me acalmar, a tua voz para me consolar e é a única coisa que me resta com um pouco de ti, pelo menos ainda a tenho quando choro. Aliás, eu ainda tenho tudo... Infelizmente, só tu não estás presente. De forma alguma. Simplesmente não estás, não fazes por estar, não queres estar.
Sorte é daquele que não vê. Não vê, não sente. E a tua sorte é essa mesmo. Não teres que me ver todos os dias nem teres que ver nada que te lembre da minha existência, eu não. Tudo me lembra de ti, porque ainda existe um pouco de ti em todos os lugares por onde passo. Embora não tenhas estado presente fisicamente em todo o lado, até cada canto da minha casa tem um história da qual fazes parte.
Falo como se estivéssemos estado juntos uma vida, sei que não e talvez seja por isso que não sentes o mesmo e não te custe como me custa a mim, mas um dia disse-te que não me apaixonava facilmente e que não podia fazê-lo, deves ter-te ri-do disso, visto que me apaixonei por ti em menos de nada e te amei mais do que alguma vez havia amado alguém! Agora estou a tentar libertar-me de ti, talvez um dia o faça totalmente, talvez esse dia chegue amanhã ou daqui a um ano, talvez nunca aconteça ou aconteça de uma vez só. Espero que seja rápido, estou cansada de sofrer em vão.
Adorava que um dia por acaso me encontrasses na rua e te apercebesses do quanto me amavas. Adorava que, talvez um dia, por mera coincidência e acidente, te chegassem às mãos todos os textos que te escrevi e que nunca te foram entregues e tenhas coragem para os leres. Espero que entre tantas páginas vejas o quanto te amei, o quanto eu sofri. Espero que um dia tenhas a coragem para me ligar e dizeres-me o que sentes, o que sentiste, o que sentias, desde amor a ódio, de dedicação a desistência, de felicidade a sofrimento.
Ainda me lembro daquele rapaz que era apaixonado ao ponto de me falar no quanto as suas mãos chamavam pelas minhas e que me deixava a miúda mais feliz do mundo. Lembro-me também do medo imenso da opinião dos meus pais à cerca da tua pessoa. Ainda me lembro de nós naquele beijo profundo e insaciável terminado com um abraço apertado. Aquele abraço que só tu me davas. Ainda me lembro da expressão "Amor temos uma vida pela frente" e de todas as gargalhadas enviadas por áudio, sei que praticamente coravas, quando te dizia que achava que todo o mundo se apaixonaria por ti e me respondias: "Não amor, és só tu, só tu e eu!". Tenho a noção da quantidade de vezes que repeti esse áudio, dava perfeitamente para perceber o quão feliz estavas apenas com uma simples gargalhada.
Mas diz-me, chega certo? Chega de sofrimento. Chega de insistência. Chega de esperança, certo? Sim, penso que chega. Não há mais nada que eu possa fazer.
Pensa sinceramente, perdi-te ou perdeste-me? Dá que pensar, mas acredita que sei a resposta e olha, não é nenhuma das opções.
Leias até ao fim, leias a primeira frase ou não leias sequer uma letra, não há problema. Não te censuro. Sabes porquê? Eu digo-te e percebe isto meu amor, as atitudes ficam para quem as pratica.
Da miúda que dava tudo por ti e que te amou incansavelmente.
Ps: Ainda o faço.
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