sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Igualmente cinzas


1ª CARTA:
Foca-te somente nas palavras escritas por mim nesta carta. Esquece o mundo lá fora, abstrai-te. Não penses sequer em mim. Onde fui, porque te deixei sozinho, o que fui fazer, quando volto. Não penses em nada e promete-me que só tiras os olhos desta carta quando a terminares de ler e que vais ignorar a minha presença quando eu reaparecer, até que leias a última, de muitas, junções de letras.
Estas cartas têm cada uma o seu propósito e espero que gostes delas e não que te cansem, te aborreçam. Cada uma serve para uma altura diferente, uma ocasião diferente, um momento de felicidade, de fraqueza, de fragilidade ou até de tristeza. Servem para não só te relembrar o quão especial és, assim como para te relembrar o quanto gosto de ti. ​
Sei que poderás não perceber algumas das minhas metáforas, mas sente-te completamente à vontade para me perguntares o significado de cada uma delas ou até para contra-argumentares comigo, sabes bem que estou sempre disponível para ti.
Haverá certamente uma carta, da qual tenho completa certeza que odiarás, acredita que a odeio também.
Nesta carta não tenho muito para te dizer, peço somente que me digas sinceramente se gostaste ou não da tua prenda de Natal.
Gosto de ti,

Ps: Estás enganado se pensas que este é unicamente o teu presente, peço-te que no final desta frase olhes para a porta da sala.

Filipa Costa
Natal de 2016

Jovem, cheio de projectos de vida, em Agosto passado também tu tiveste de partir, as mesmas chamas consumiram o teu corpo até nada mais existir ... igualmente cinzas!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Olá primeiro ataque de ansiedade. Não quis dar-te nenhuma importância porque estava tanta coisa importante acima de ti. Entrei na loja e senti um misto de emoções. Senti que o mundo tinha parado ali e ao mesmo tempo continuava a toda a velocidade. Comecei a pensar que o que estava a fazer era inútil e mais valia desistir. Senti que queria morrer. E não quero saber se isto parece mal, mas foi o que senti. Comecei a andar sem saber para onde e sentia-me desnorteada. Fui parar ao corredor onde não passava ninguém, porque ali parecia que estavam as coisas mais inúteis e ninguém queria saber delas. Estava a sentir-me no sitio certo e ao mesmo tempo só queria sair dali. Vi-a todos a passarem à minha volta, mas não via ninguém. Lembro-me que andei de corredor em corredor porque não sabia o que queria. Quando parei no tal corredor, sentia-me suada por todos os cantos do meu corpo e eu só trazia uma leve camisola, olhei à volta e parecia que tinha uma barreira à minha frente que não me deixava percorrer o caminho até à saída. Por momento pensei que não conseguisse sair dali. Não tinha a minha mala e ressaquei da minha garrafa de água e das gotas mágicas, é assim que lhes chamo. Senti que me estavam a sufocar com uma corda e os pensamentos que tinham eram tão repentinos e sinceramente, só pensei em desligar a máquina, pensei que a minha vida não valia nada e que já não tinha força para continuar...só engolia em seco por cada pensamento que ali me invadia a mente...senti que queria desistir de tudo. Senti que aqui dentro o sistema tinha parado. Senti que não iria nunca conseguir sair dali. Estava a pingar suor por todos os lado e a seguir, chorei por breves momentos e nem sabia como controlar. Fui parar ao corredor das velas e o telefone toca. Era a minha mãe, fez-me voltar ao normal em poucos segundos mas estranhou a minha voz que eu sinceramente nem conseguia ouvir. Senti tanta coisa e ao mesmo tempo não senti nada.
Ontem, contei isto ao Sérgio. Mas fingi não me aperceber do que tinha sentido...ele riu-se e perguntou-me se eu sabia o que tinha sido isto. E eu respondi "é parvoíce".

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Se não estava previsto, é imprevisto. És tu. Muito provavelmente estava mas não sabíamos.
Eu, dona de mim e do meu mundo. Preparada para tudo, sem saber nada. Estava pronta para receber todos os idiotas possíveis e mandá-los dar uma curva. Queria viver-me. Sim, isso mesmo. Pensava eu...pensava que andava bem acompanhada as no final de todas as madrugadas estava só comigo.
Decidi estar sozinha. Realmente despedi-me dos últimos deslizes, pensava que ali tudo terminava e estava em paz.

Surpresa!!

Chegaste antes do meu mundo cair, tinhas de estar lá. Tinhas mesmo, sem saberes, de me agarrar porque estava prestes a desmoronar. Sabia lá eu, que tinhas vindo para isto. Irei agradecer-te?

Tudo o que acontece tem dia e hora marcados, sem atrasos...por incrível que pareça.

26.04.2018

Vi um dos filmes mais tristes que poderia ter visto. Choraram todos e eu nem uma lágrima verti.
Já tinham passado umas 5 horas desde que ali cheguei. Bastaram 30 segundos. Encostei a minha cabeça no teu colo à procura de um abrigo, e sem pensar em nada...chorei. Chorei calada, sem que o mundo sequer entendesse, o que nem eu entendia o que estava a sentir!

Sinceramente, só me apetecia desatar a chorar bem lá do fundo. O mundo desabava e voltava a reconstruir-se quando eu decidisse parar. Era mais fácil assim.
Saí dali na esperança de que ninguém desse conta da minha ausência e em poucos segundos, foste ao meu encontro e protegeste-me no teu abraço.

Provavelmente se alguém me ouvir, vai certamente dizer-me que estou louca. Choro sem saber porquê...Alguma razão terá, mas nem eu mesma entendi ainda. Tento pensar como te sentes e o que vai na tua cabeça e assim fico, sem saber ou a sentir tudo desta forma.

O silêncio acaba por fazer o favor de comunicar por nós. Acabo por acreditar que nos entendemos melhor assim, apesar das 1001 perguntas que tenho para te fazer. Aos meus olhos parece-me que tudo entendes, sem proferir sequer uma palavra.

Temos muito que explorar e quero que estejas presente nos momentos mais marcantes ou até mesmo só para bebermos um café sem açúcar, numa esplanada onde o sol bate e eu vou certamente dizer que é Ela que nos está a fazer companhia!

Não irei esquecer-me de levar-te aquele chocolate com menta, que eu não suporto e tu tanto adoras...

Que a sintas em cada abraço apertado ...

terça-feira, 19 de junho de 2018

26.04.2018

Vi um dos filmes mais tristes que poderia ter visto. Choraram todos e eu nem uma lágrima verti.
Já tinham passado umas 5 horas desde que ali cheguei. Bastaram 30 segundos. Encostei a minha cabeça no teu colo à procura de um abrigo, e sem pensar em nada...chorei. Chorei calada, sem que o mundo sequer entendesse, o que nem eu entendia o que estava a sentir!

Sinceramente, só me apetecia desatar a chorar bem lá do fundo. O mundo desabava e voltava a reconstruir-se quando eu decidisse parar. Era mais fácil assim.
Saí dali na esperança de que ninguém desse conta da minha ausência e em poucos segundos, foste ao meu encontro e protegeste-me no teu abraço.

Provavelmente se alguém me ouvir, vai certamente dizer-me que estou louca. Choro sem saber porquê...Alguma razão terá, mas nem eu mesma entendi ainda. Tento pensar como te sentes e o que vai na tua cabeça e assim fico, sem saber ou a sentir tudo desta forma.

O silêncio acaba por fazer o favor de comunicar por nós. Acabo por acreditar que nos entendemos melhor assim, apesar das 1001 perguntas que tenho para te fazer. Aos meus olhos parece-me que tudo entendes, sem proferir sequer uma palavra.

Temos muito que explorar e quero que estejas presente nos momentos mais marcantes ou até mesmo só para bebermos um café sem açúcar, numa esplanada onde o sol bate e eu vou certamente dizer que é Ela que nos está a fazer companhia!

Não irei esquecer-me de levar-te aquele chocolate com menta, que eu não suporto e tu tanto adoras...

Que a sintas em cada abraço apertado ...

terça-feira, 12 de junho de 2018

"Há coisas que não se contam, mas esta posso..."

"Amei-o pela maneira que ele faz os outros amarem-no."


14.
Não reparaste, nem sequer pensaste que poderia pertencer a outro alguém. Não quiseste saber e lá foste tu, pedir-me um café. Aceitei e estava em sintonia. 

16.
Foi bonito de se ver de fora e de dentro. Isto porque, consigo encarar as duas personagens mas, naquele dia esqueci-me de colocar a máscara que há tanto usava para me esconder do mundo. Uma máscara que não me identificava de todo. Ainda bem que nunca gostei muito de teatros. 

Tudo estava a tentar levar-me a combinar esse "tal café" para outro dia mas teimosa como sou, bati pé e não deixei que nada interrompesse aquela hora que me fez entender que a minha vida passava muito para além daquilo que vivi até aqui. Mais um nova etapa? Nem pensei nisso, não dei importância porque parecia que ali tinhas estado a vida toda. 

Arranjei-me o mais rápido que pude porque não podia chegar atrasada (pensava eu) , parecia mal, mas sou eu assim e lembrei-me agora que não fui de máscara...cheguei com 1 hora de atraso. No final, pareceu bem.

O café foi uma maneira de dizer para irmos beber um copo. "Duas imperiais sff". Uma menina como eu ficava-se pelo café, e novamente me lembro que era eu que ali estava. E assim foi, da maneira mais espontânea que poderia ser.

Falei, falei e falei...não me lembro bem do quê, mas parecia que te tinha contado a vida toda. Ouvi-te com toda a atenção que poderia dar-te. E fui embora com vontade de ir contigo para casa e ficar a noite a ouvir-te, ou não. 
 
Os céus quiseram e assim tiveram. São eles que mandam, não somos nós. 

23.

Obrigada por me receberes de madrugada, com a promessa de uma cama e de um chocolate. Entrei meio desequilibrada e senti-me em casa. Eu continuo a dizer que a mim parecia-me que tinhas estado ali a vida toda e eu só tinha chegado a casa agora. 

.

Apaixonei-me sem entender sequer. Há coisas que não se contam, mas esta posso. Apaixonei-me outra vez. E outra vez. Ontem também me apaixonei. Hoje pode ser que quando chegue ao pé de ti também aconteça. E amanhã?

Pela maneira de falar, porque podes estar a contar a história mais chata do mundo mas vou continuar a ouvir-te com toda a atenção de sempre, mesmo que 1 hora depois me esqueça. Pela forma que fui recebida e que fui tratada. Pelo mínimo pormenor em que ninguém repara e por aquele que todos vêm. Pelas coincidências que continuam sempre presentes comigo. 

Vivo-te sem pensar no que vai acontecer a seguir. Mas no entanto, o que faço hoje influencia o meu amanhã. E amanhã quero-te novamente. 

É sempre um até já

30.04.2018

Precisava-te e não sabia. Andava perdida a encher-me de pessoas vazias.
Foste para longe 2 dias que te pareceram a eternidade porque eu não estava. Chegaste e disparaste a contar cada pormenor. Ouvi-te com toda a atenção.
Pertenço-te de uma ou de outra maneira. O mundo em meu redor apaga só para te receber por completo.
Ligas a pequenos pormenores que antigamente costumava tomar atenção. Acho engraçado. Hoje em dia, estou mais fria. Sem me aperceber até. Tento dar-te o meu melhor...mas estarei sempre um passo à frente, com um pé atrás. Em equilíbrio.

"Homens há muitos...Amor é que há pouco" disse-me uma senhora numa viagem que fiz. Como se precisasse de o ouvir para acreditar. Esta frase não me sai da cabeça. Mal sabia eu, o que estava para vir.

Não esperava a tua chegada. Muito menos tão rápida e em modo de salvação, sem saberes. Porque da noite para o dia o mundo desabou...tu apareceste no dia seguinte e pegaste em tudo, para eu não cair com ele. Obrigada? Não chega , nem sequer expressa o que sinto pela tua chegada.

Sabes no que reparei? A nossa geração quer viver tudo demasiado rápido. Porque hoje conhecem-se, amanhã vão para a cama e depois de amanhã já são o amor da vida de alguém. Mas que piada é que isso tem ?

Agradecida por não ser rotulada. Porque estás presente à poucos dias para conseguires encaixar vinte e um anos nos teus restantes e dizeres ao mundo que sou o amor da tua vida quando nem sabes metade de mim.

Obrigada por me fazeres apreciar cada momento, por muito simples que seja. Por me fazeres querer sempre mais e melhor. Porque o mundo pode estar a desabar e vives como não se estivesse a passar nada. Transformas o mal do mundo em simples defeitos que ultrapassamos com uma facilidade inimaginável.

Contigo o silêncio não condiz, precisamos de estar em contacto porque se não estivermos...algo não está bem.